1995: Barca Velha vs Pera Manca

Estava eu num almoço com o meu amigo Filipe Póvoas e falávamos de Pera Manca. Dizia eu que tinha bebido um 2007 tinto e tinha ficado triste, achava que não […]

Estava eu num almoço com o meu amigo Filipe Póvoas e falávamos de Pera Manca. Dizia eu que tinha bebido um 2007 tinto e tinha ficado triste, achava que não fazia jus ao nome, ao contrário dos mais antigos que expressavam toda a beleza de um Pera Manca tinto. O Filipe vira-se e diz “olha, tenho lá uma de 95. Vem jantar lá a casa”.

Por si só, o convite já era razão para o meu fígado saltitar de alegria e, se tivesse boca, soltar gemidos duvidosos como uma teenager ao ver o concerto de uma qualquer boys band manhosa. Mas não esperava, sinceramente, que, ao entrar em casa dele, ele me dissesse “só tenho uma garrafa de Pera Manca 95, mas vamos fazer uma coisa gira. Tenho aqui uma Barca Velha do mesmo ano”. Acreditem, cânticos de aleluia, dignos de serem tocados na igreja do Vaticano, ecoaram no meu cérebro.

De modo a evitar que toda a gente ande com o texto para baixo até descobrir o resultado final, faço desde já um resumo: Pera Manca 1995 – 1; Barca Velha 1995 – 0. Confesso, não era o resultado que esperava.

Quero também que fique bem assente, o Barca Velha 95 é um óptimo vinho e estava em grande forma. No nariz havia aromas de amoras e violetas, os taninos eram sedosos e na boca sentia-se uma bela tosta de madeira com um final longo. O problema do Barca Velha foi o Pera Manca, que estava simplesmente fenomenal!

O Pera Manca 95 é um equilibro de classe e fruta, que apresenta notas de tabaco, café e tosta no nariz. Na boca oscila entre a fruta vermelha, ora fresca, ora seca, e uns toques de mentol. Mas o mais impressionante são os taninos e a acidez, que estavam perfeitos e emprestavam uma incrível vivacidade ao vinho, fazendo-o parecer mais novo do que muitos vinhos mais recentes que bebi. Estava simplesmente soberbo, com um final de boca estratosfericamente longo e persistente.

O Barca Velha 95 está a fazer a transição dos vinhos com “genica” para um vinho mais velho, com toques de couro e farmácia, mas se por um lado já não tinha a vivacidade que lhe é conhecida, por outro ainda não apresentava de forma clara as notas de vinho velho. Está num limbo estranho, mas mesmo assim muito bom. O maior problema do Barca Velha foi mesmo o Pera Manca estar do outro mundo.

Nota Pera Manca: 19,5
Nota Barca Velha: 17,5

Preços: entre 300 a 350€, cada garrafa

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    Gonçalo Proença

    Sobre Gonçalo Proença

    Conhecido pelo seu amor ao Dão e seus vinhos tendo, no entanto, uma grande paixão pelo Vinho do Porto, sobre o qual escreve - e o qual bebe - regularmente !