Há muito tempo que defendo os brancos com alguma idade e tenho tido grandes surpresas e grandes abre-olhos neste capítulo.
Muita gente tem o preconceito de que os brancos são apenas para beber jovens, assim que saem. Se estiverem na garrafeira de um ano para o outro já não prestam. Mas na minha opinião, as coisas não são assim.
Cada vez mais a qualidade dos brancos nacionais está a subir. Deixaram de ser considerados os parentes pobres, uma mudança que tenho vindo a testemunhar há alguns anos a esta parte.
Muita gente tem contribuído para esta mudança: críticos, bloggers mas, acima de tudo, os produtores que cada vez mais têm apostado na qualidade dos seus brancos.
Neste capítulo penso que o mercado, está a modificar-se. Contudo, há muita gente que torce o nariz a beber um branco com mais de 2 ano. Atenção: não é claramente o meu caso, nem das pessoas que aqui escrevem. Defendemos que há espaço para vinhos brancos envelhecidos e, aqui , vimos lançar o desafio: provem sem medos.
A nível nacional, temos vinhos brancos capazes de discutir com os melhores vinhos mundiais, mas creio, visto o caminho ter começado há pouco, ainda temos muito que andar. No entanto, é dando o primeiro passo que se ganha a maratona. E o primeiro passo está dado
Temos grandes exemplos de grandes vinhos brancos que já mostraram bom potencial de envelhecimento: os Alvarinhos, os Arintos de Bucelas, os Malvasias de Colares os brancos do Dão, os Buçaco, apenas para nomear alguns. Temos uma diversidade de vinhos que envelhecem maravilhosamente em garrafa e muitas vezes são desprezados, o que é uma pena. Acredito que se em França houvesse vinhos como os Colares ou os Buçacos custariam uma pequena fortuna. Mas cá… cá não é assim. Por um lado, rejubilo-me, pois podemos bebê-los mais frequentemente, mas, por outro, é uma pena que não nos saibamos promover e vender”como tantos outros tão bem fazem.
Todos os vinhos acima mencionados são óptimos enquanto jovens. Todavia, quando guardamos uma garrafa destes vinhos por alguns anos, eles transformam-se, ganham características únicas e atingem níveis de complexidade absolutamente magníficos. São vinhos capazes de competir contra grandes vinhos do mundo, sejam eles brancos da Rioja, da Borgonha, Mosel ou Alsácia. Temos um património vínico invejável, tradições ancestrais, castas fabulosas e parece ue não vemos isso.
Lembro com saudade o primeiro grande branco velho que provei: um Soalheiro de 1994, provado em meados de 2007. Para mim foi um grande abre olhos e, desde essa altura, olho para os brancos de uma forma completamente distinta. Respeito quem gosta da frescura dos brancos jovens, pelos quais, diga-se, tenho muito carinho, mas os brancos mais evoluídos são para mim momentos únicos e mágicos.
Gosto de brancos velhos, pois a velhice traz sabedoria, experiências inesquecíveis e ensinamentos que guardamos connosco para o resto da vida.



encruzado me confesso.
Luis, compra uns Cabriz e esquece-te deles durante uns aninhos… Ficam fantásticos!
Dica… Wine o Clock tem Borges Reserva Dão 2007 a venda por 6,90€…
Olá caro João,
concordo inteiramente com o seu ponto de vista da escrita acima – há alguns brancos que ganham outras “formas” com alguns anos. Aidna a semana passada bebi um Esporão Reserva de 2004 que estava um brinco e quanto a esse Borges Dão branco de 2007 é um achado já o comparei com o 2009 e o que perde no nariz ganha na boca e em alma!
continuação de boas provas
ah e o Borges Douro branco desse mesmo ano tb é muito bom
Francisco
Caro Francisco,
Obrigado pelo comentario!
Tem toda a razão quanto ao Borges 2007!
Adoro Brancos com alguma idade, adoro a forma como evoluem em garrafa para nos proporcionarem momentos fantasticos!
Esta para breve um artigo sobre esse 2007!
Abraço
Gosto muito destes textos que incentivam à reflexão. O ETOVL é isto mesmo, repensar o vinho.
Os brancos são aptos ao envelhecimento desde que feitos a pensar nisso mesmo. Nem todos os produtores o fazem/conseguem fazer, mas deste alguns exemplos paradigmáticos dos que fazem.
O Bágeiras Garrafeira 1994 ficar-me-á para sempre na memória, os Bussaco nem se devem beber nos primeiros anos e o que dizer dos fabulosos vinhos de Colares?
Abraço João, e obrigado!
Pedro!
Obrigado pelo comentário amigo!
Esse Bageiras era o Bical nao o Garrafeira… É tão bom! E o mais engraçado é que ainda se arranja disso!!!!
bageiras garrafeira 2010 é uma hipótese para quando fizer 40 anos… está a descansar.
Fazes bem Luis! Grande vinho!!!!
Tenho lá em casa duas Garrafeiras Brancos das Bágeiras, á espera que se façam “velhotes” para lhes tratar da saúde!! 2006 e 2007… e ainda este ano, vou adquirir um Buçaco Branco de 2003 ou 2001, para o aniversário dos 20 anos que a mulher me anda a aturar… isto só será em 2019, portanto tou em crer que uns e outros se aguentam até lá…
Meu caro,
Obrigado pelo seu comentário!
Quanto aos brancos aguentam certamente… Se esta indeciso entre Buçacos… Recomendo vivamente o 2001/2002 e 2005…. Para mim os melhores que provei até agora…
Quanto aos Bageiras tambem ainda tenho um Garrafeira 2008 em cave… Ja provou Bageiras Branco Colheita com alguns aninhos!? Vale tanto a pena!
Os Buçacos são a minha grande incógnita, confesso… o “glamour” da casa e o João Rico, convenceram-me a comprá-los, mas confesso, que não conhecendo nada e tendo em conta o investimento a longo prazo(as colheitas de 2001/2002/2003, não custam menos de 35€ e nunca será aberta antes de 2019…) tenho de escolher criteriosamente.
Do que tenho lido(inclusivé aqui…) o colheita de 2001 seria a grande escolha. Vamos ver! Este ano tem de ser, senão acaba-se esta boa vontade do Hotel e depois, temos de ir ao Palace comprá-las e aí é “glamour, mais IVA”…
Os Bágeiras são das minhas coisas favoritas… Garrafeira e colheita… e agora Bruto Rosé… Colheitas, em minha casa não chegam a por-se velhas…
Meu caro,
Por falar em Bairradas acabei de comprar um Qta. De Baixo Branco de 2008… Estou muito curioso para o provar…
Quanto aos Buçacos, acho que apesar de caros… Justificam e muito o preço!
Tive a sorte de fazer uma vertical de Buçacos e fiquei de queixo caído… Sao vinhos magníficos mesmo!
Em casa ainda tenho uma do 2001 e uma de 2005…. Qualquer dia é dia!
tem tanta razão quando diz que certos vinhos, como os Colares e os Buçacos (e incluía duma forma geral os grandes Bairradinos) noutras paragens se vendiam a preços totalmente diferentes! é, alias, uma questão muito curiosa, a da formação dum público informado que constitui um mercado para um determinado tipo de vinhos, e das raízes do prestígio de certos vinhos (e dos aspectos que “falharam” para estes vinhos fazendo com que possamos desfrutar deles, mas que também os tornam espécies ameaçadas de extinção).
agora, no que diz respeito aos brancos que cá se fazem, devo dizer que na minha opinião continua a ser extremamente difícil encontrar vinhos aceitáveis sequer… mas são gostos!
João,
sem tirar nem por! o teu manifesto diz tudo e apenas posso subscreve-lo!
Desejo muito que os brancos envelhecidos portugueses se tornem bem conhecidos e amados pelo Mundo fora. E creio que deste um contributo significativo para que isto aconteça.
Parabéns!
Eu cá não gosto nada de brancos velhos. Neste momento, já estou a beber as colheitas de 2013, apesar já não serem tão novos quanto eu gosto
João, contigo aprendi a saborear, a apreciar e a olhar para o vinho duma forma diferente daquela com que até então o fazia.
Já foi à alguns anos atrás que me começaste a incutir este vício saudável e a ti te agradeço (mais uma vez né?
)
É mesmo uma pena nós por cá não aproveitarmos vinhos como os brancos que temos em Colares, ou no Buçaco ou no Dão, para promover a qualidade dos mesmos. Qualidade desta em França, era como as slot-machines…sempre a faturar!
Quanto aos vinhos da foto do post, não conheço o Planalto, o San Joanne provei-o no EVS e adorei e o Tondonia…brutal!!
Grande artigo!!
Um abraço
Nem por acaso ontem bebi um Quinta da Murta Reserva 2005. Um espectáculo. Dos melhores brancos que bebi nos últimos tempos: pêras, cogumelos, algum tostado…
Sempre que vou fazer as compras do mês, adopto a seguinte estratégia: vou à garrafeira e limito-me a ver os brancos em (super-)promoção. É sempre assim que consigo comprar brancos mais antigos. Como não escoaram no ano de saída, o hipermercado põem-no a preço da chuva.
Foi assim que comprei o Murta 2005: a 5 euros, em total liquidação. E, meus senhores, que vinho, que vinho. À altura de Borgonha.