Barca Velha (2004) – Uma nova visita

Barca Velha

Confesso que se há vinho que me desiludiu, foi o Barca Velha 2004.

Disse-o quando ele foi lançado, escrevi um texto sobre ele e rapidamente levei com as velhas do Restelo a enviarem emails, que eu teria lugar cativo no inferno vínico para toda a eternidade (não explicaram exactamente o que seria, mas calculo que seja algo comparável a ter de beber um bag-in-box de verde tinto carrascão todos os dias ao pequeno almoço, almoço e jantar)

Por acesso de loucura boa (e principalmente pelo facto da mulher estar fora do País na altura), quando comprei Barca Velha 2004 comprei umas quantas garrafas.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez que bebi Barca Velha e de, na altura, ter ficado altamente chocado com o preço, até que alguém me explicou, “o preço é assim alto porque a Casa Ferreirinha guarda-o até estar num ponto óptimo para consumo”. E foi talvez daí que veio a minha enorme desilusão quando provei o 2004 pela primeira vez: de estar pronto para consumo, para o preço que ostentava, ia uma grande distância.

Há uns dias decidi ir à garrafeira e abrir outra garrafa. Felizmente, as coisas mudaram radicalmente de figura.

Já se nota uma evolução gigante. O Barca Velha 2004 está soberbo no nariz, com muita fruta vermelha, muita amora, muita framboesa fresca, para além de travos a canela e tosta. Na boca, o festival de fruta e madeira muito bem casada, com acidez e taninos, que começam a ficar muito bonitos.

Está a evoluir? Sim.

Errei quando disse que este vinho não tinha grandes pernas para andar ? Sim (fica sempre bem admiti-lo).

Ainda tem muito para dar? Vamos ver. Mas que começa a parecer Barca Velha, isso sim.

Continuo, no entanto, com a opinião que a Casa Ferreirinha lançou este vinho 1 ou 2 anos mais cedo do que era suposto. Acredito que com mais um ano de garrafa em cima (lá para 2016) a Casa Ferreirinha tinha despachado tudo a 400 ou 450 euros a garrafa e ninguém pestanejava.

Nota : 18 (a começar a aparecer o 18,5. Há um ano dei-lhe 17)
Preço : 300 euros

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    Gonçalo Proença

    Sobre Gonçalo Proença

    Conhecido pelo seu amor ao Dão e seus vinhos tendo, no entanto, uma grande paixão pelo Vinho do Porto, sobre o qual escreve - e o qual bebe - regularmente !