Colares: Viúva Gomes com Brian Julyan, CEO Court of Master Sommeliers

mColares : adega Viuva Gomes

Adega Viúva Gomes

Colares é uma das mais míticas regiões vínicas no mundo, uma das poucas que não sofreu os efeitos devastadores da “philoxera”, uma região que mantém tradições antigas e uma das regiões que Brian Julyan fez questão de conhecer. Foi este o mote para a visita à Adega Viúva Gomes no âmbito o primeiro ETOVL convida. O dia começou cedo e rumámos em direcção a Sintra.

Pelo caminho, Brian Julyan, nosso convidado e CEO da Court of Master Sommeliers, lamentou a falta de informação sobre a região: “Portugal deveria fazer mais promoção às suas regiões únicas, como Colares. Se o trabalho e promoção seguisse o exemplo do que se faz noutros países, Colares tornar-se-ia, com certeza, numa verdadeira pérola vínica e os seus vinhos seriam altamente valorizados.”

 

Colares : 1934

Mais de 1200 garrafas de 1934

Chegados à adega, fomos recebidos por José Baeta, proprietário e apaixonado da região. Feitas as apresentações, fomos conduzidos por tonéis, colheitas e, segundo Brian Julyan, por todo um “fantástico património vínico”  que descansava num silêncio sepulcral. Brian vinha à procura de respostas que precisava para a reedição do seu livro, i.e., o manual de estudo aos candidatos a Master Sommelier. José Baeta respondeu às questões que lhe foram sendo colocadas e mostrou um grande empenho em dar a conhecer um pouco melhor Colares e os vinhos de Colares.

O nosso convidado ficou perplexo quando lhe foi dito que em Colares exitem somente dois produtores: a Adega Regional e a Fundação Oriente. (“Como é possível que numa região histórica como esta não haja mais pessoas a produzir e a divulgar estes vinhos únicos?”) Depois de ouvirmos uma breve exposição sobre a História da região, que remonta ao tempo de D. Afonso III, fomos conduzidos para a sala onde iríamos realizar as provas de alguns dos vinhos Viúva Gomes.

 

Colares : tintos

Viúva Gomes (2005) e (1969)

Os vinhos seleccionados pelo proprietário para prova foram : Viúva Gomes Branco (1997), Malvasia (2008), Viúva Gomes Tinto (2005) e Viúva Gomes Tinto (1969).

Começando pelos brancos, o 1997 mereceu o seguinte comentário do nosso convidado: “um vinho complexo, desafiante e que não é certamente um vinho consensual.” E efectivamente não é, pois apresenta já um ligeiro toque de oxidação, pouca fruta, mas também  uma complexidade avassaladora.

Colares : brancos

Viúva Gomes (1997) e Malvasia (2007)

Seguiu-se o 2008, a mais recente colheita no mercado, que apresenta fruta de grande qualidade, excelente acidez, muita frescura  e um final longo, persistente e complexo. Um vinho que funciona muito bem com comida.

Os tintos foram a surpresa. O 2005 está um vinho ainda muito jovem e fechado, necessitando mais tempo em garrafa para revelar todo o seu potencial. Tem alguma fruta, acidez elevada e uma estrutura de taninos poderosa a pedir pratos bem fortes. Quanto 1969, foi para o nosso convidado a surpresa da manhã.

Brian Julyan:  “O 1969 está ainda novo! É impressionante como, ao fim de 44 anos, este vinho tem ainda traços de fruta. Gosto particularmente das muitas especiarias que oferece, da sua estrutura e do longo e complexo final de boca. Um vinho que parece não querer dar sinais de envelhecimento”

Saímos da Adega e caminhámos até às vinhas velhas de Colares. Mais uma inesperada surpresa para o nosso convidado.

 

etudoovinholevouVinhas velhas em Colares

As vinhas de Colares estão plantadas na areia. Primeiro, são  escavadas trincheiras, muitas vezes com mais de 3 metros de profundidade, até se encontrar barro. Depois, as videiras são plantadas no barro e vão sendo tapadas à medida que vão crescendo. Por fim, são abrigadas dos ventos marítimos por paliçadas, e, quando os cachos se começam a formar, são colocados suportes para que as uvas não fiquem em contacto com a areia. Tudo isto é feito com o maior respeito e segundo as tradições antigas, coisa que nos fascinou a todos.

 

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Plantação de novas vinhas em Colares

Brian Julyan: Esta paisagem é inacreditável! Uma coisa é ver fotografias destas vinhas e ler sobre elas, outra coisa bem diferente  é estar aqui e sentir todo o peso da História. O que vocês aqui têm é algo único e muito especial, algo que deve ser respeitado e promovido. Podem contar comigo para a promoção desta região junto dos meus colegas sommeliers.

Tivmos assim a sorte de apreciar o entusiasmo sincero de um dos maiores nomes do vinho mundial pela nossa região de Colares. Esse entusiasmo foi acrescido pelo encontro com o Senhor Gonçalo, figura mítica da região, porque (segundo José Baeta) possui as melhores vinhas velhas da região. O Sr. Gonçalo fez questão de nos mostar as suas fantásticas vinhas tal como se pode apreciar na fotografia abaixo reproduzida.

 

Colares : Sr Gonçalo, Produtor

Senhor Gonçalo, produtor, mostrando a vinha

Em jeito de conclusão, podemos confirmar que Colares ganhou um novo e promissor embaixador: Brian Julyan, CEO da Court of Master Sommelier. Podemos também informar que, no rescaldo deste ETVOL Convida, também Gonçalo Proença e João Chambel se encontram agora mais empenhados que nunca em reivindicar o lugar cimeiro devido a esa histórica região no mapa vínico mundial.

 

Texto de João Chambel. Fotografias de Gonçalo Proença.

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João Chambel e Brian Julyan ouvindo José Baeta

 

 

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