Herdade do Arrepiado Velho Riesling (2011)

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A outra menina dizia: ”Não há coincidências” e no caso deste vinho concordo plenamente.
Neste mundo dos vinhos existem oportunidades e coincidências que não se podem deixar passar e este texto vem nesse sentido.

Se há coisas que gosto são destes vinhos sem rótulo, experiências e ensaios nos quais os produtores dão largas á sua imaginação e criatividade.

Há pouco tempo juntei-me com o Antonio, o produtor dos vinhos da Herdade do Arrepiado Velho e para mim foi uma honra e uma oportunidade única provar este vinho, mais ainda quando um produtor faz questão de trazer um destes ensaios e com entusiasmo nos explica o que ali está e respeita a nossa opinião faz-nos sentir bem!

Este é um vinho fora do “mainstream”, fora de tudo o que se faz por cá, é um Riesling, vindimado em Novembro mas não é uma colheita tardia, é elaborado com as netas e depois tem estágio em barrica.

A história deste vinho começa quando a vinha foi atacada pelo míldio arrasando por completo a colheita. Após os tratamentos, as videiras recuperaram e as netas deram uva. Este vinho foi elaborado a partir destas uvas e a vindima das mesmas foi feita em Novembro.

Apresenta uma cor palha clara, com reflexos esverdeados, lagrima presente e de persistência média.

Aromaticamente apresenta-se muito jovem, e bastante contido para um Riesling de clima quente. Tem os típicos traços citrinos a lembrar raspa de lima e limão fresco. Alguns apontamentos de maçã e flor de laranjeira marcam presença e são potenciados pelos traços minerais. E aquele aroma de borracha está lá, mas muito discreto e ainda por desenvolver.

Na boca é um vinho fora do comum, nada exuberante na fruta, mantendo os traços citrinos, mas com uma mineralidade fabulosa e muito pouco comum em terras alentejanas. O solo tem uma forte componente xistosa que lhe transmite certamente algumas destas caracteristicas. Tem uma acidez cortante e no volume de boca nota-se o estágio em barrica, que lhe dá uma maior profundidade e persistência. Tem uma boa complexidade mas o final seco e ligeiramente amargo dá uma sensação de ser mais curto do que realmente é. Provavelmente vai melhorar muito com o tempo em garrafa.

Acho que este é daqueles vinhos que não vai agradar a muita gente, é um vinho muito pouco consensual, que ora arranca elogios ora arranca críticas, mas certamente é um vinho que vai dar muito que falar.

Para mim, ainda está algo cru, mas consigo ver ali algum potencial de evolução. Nesta altura acho que á mesa se aguenta melhor do que em prova e com marisco ou umas amêijoas á bulhão pato faz certamente um pairing fantástico.

Ter a oportunidade de o provar “en primeur” foi fantástico, muito obrigado António.

Nota:16,5
Preço: ainda não está definido.

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    Joao Chambel

    Sobre Joao Chambel

    ETOVLiano apaixonado e sommelier. Os vinhos são a sua vida e paixão! Brancos, tintos, rosés, fortificados, espumantes, nacionais e estrangeiros, novos e velhos... A Bairrada é uma das suas regiões de eleição e faz regulares transfusões de Baga e Borgonha.