Mancuso (2004)

Mancuso

Há um par de anos atrás foi introduzido pelo João Chambel a um vinho que me ficou para sempre na memória, o Mancuso 2005 (podem ler o texto do João sobre ele aqui). Tive depois a sorte de o beber mais vezes, já que o João, sempre ele, teve a incrível simpatia de nunca mais abrir uma garrafa sem mim. Infelizmente, já acabaram.

Esta introdução traz-nos ao vinho que vos apresento hoje, o Mancuso 2004, que provei graças a quem? Adivinharam, o João.

Foi, naturalmente, com enorme expectativa que abrimos a garrafa do irmão ligeiramente mais velho de um dos vinhos que mais nos fascinou nos últimos tempos, mas o nariz revelou de imediato que não estávamos a falar da mesma coisa. Apesar da curta diferença de 12 meses, o Mancuso 2004 apresentava-se muito mais cansado.

As notas de fruta preta continuavam lá, apesar de ténues, e os tostados da madeira também, mas o que dominava o nariz do Mancuso 2004 era as notas terrosas. Não que estivesse mau, nem pensar, mas para quem tinha o 2005 em mente não deixou de ser uma pequena desilusão.

Quando o levámos à boca, reconhecemos uma das características que mais apreciamos no Mancuso, a sua complexidade de sabores. É um vinho que cresce na boca e que se vai desenvolvendo, trazendo-nos notas diferentes à medida que o vamos bebendo. No entanto, mais uma vez a intensidade não era a mesma, a estrutura não era a mesma e apenas a acidez fazia lembrar o Mancuso de 2005.

Como já perceberam pelo meu texto, a prova do Mancuso 2004 ficou claramente marcada pela comparação com o de 2005, nem podia ser de outra forma, e talvez tenha sido um factor que acabou por o prejudicar na nossa apreciação. Se encontrarem este 2004, não deixem de o provar, mas só se, como eu, não conseguirem localizar o 2005.

Ao contrário do que é costume, reparei agora que escrevi este texto quase todo no plural. E agora que reparo, nem podia ser de outra forma, já que o João aparece quase tanto como o próprio Mancuso e até a foto que ilustra o artigo é dele. Podia alterar, mas tenho a certeza que vai concordar com o que escrevi.

P.S. – Enquanto escrevia o texto, não consegui deixar de procurar pela enésima vez por um site que ainda tenha à venda o Mancuso 2005. Pela enésima vez, falhei. Se souberem de alguma coisa, lembrem-se de mim.

Nota: 16.5
Preço: 30 €

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    Nuno Dos Vieira

    Sobre Nuno Dos Vieira

    Dizem as más línguas que gosta muito de vinhos. Ele não desmente. Tintos, Brancos, Fortificados, Espumantes e Rosés. Hoje por esta ordem, amanhã talvez por outra. Intrépido bebedor, nunca vira a cara à prova.