Monte da Ravasqueira na Living Wine

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É caso para dizer: mais vale tarde que nunca, e já a alguma distância relembrar uma prova que decorreu no passado mês de novembro, na garrafeira Living Wine, na Avenida de Roma – desta vez para descobrir alguns vinhos do Monte da Ravasqueira, produtor associado à família Mello e sediado no Alto Alentejo, junto a Arraiolos. Nos anos mais recentes tive a ocasião de provar alguns vinhos deles, de diferentes gamas, desde a de entrada com o Fonte da Serrana, de simpática relação qualidade-preço, passando por uma experiência com o Branco Reserva no restaurante Sem Dúvida (Av. Elias Garcia, Lisboa) e lembro-me também de que no Evento “Vinhos do Alentejo em Lisboa”, em 2012, realizado na Fundação Champalimaud, em Algés, o monocasta Nero d’Avola da Ravasqueira foi dos vinhos que mais me surpreendeu em todo o certame. Portanto, já tinha uma boa imagem desta casa.

 

Neste dia 5 de Novembro, tivemos em prova cinco vinhos, apresentados e comentados pelo enólogo Pedro Pereira Gonçalves, que falou também um pouco acerca da história da propriedade, das vinhas que possuem e explicou que os vinhos para esta prova, todos da colheita de 2012, foram escolhidos porque esse ano marcou uma viragem na filosofia da casa e na forma como olham a própria vinha, caminhando no sentido da viticultura de precisão. Começou-se pelo Monte da Ravasqueira Reserva branco 2012, um blend de 56% de Viognier e 44% de Alvarinho. O resultado é curioso e surpreende a frescura que este vinho (40% do lote com 6 meses em madeira) apresenta após três anos.

 

Seguiu-se o Monte da Ravasqueira Petit Verdot 2012, que no nariz denunciava ser um falso-maduro, com aromas muito sedutores mas apresentou na prova de boca algumas notas vegetais frequentes na casta e uma bela acidez. É um vinho que se pode beber já, embora o tempo lhe possa limar arestas. O estágio em madeira é de 18 meses, mas não se mostra demasiado marcado. Passando ao Monte da Ravasqueira Touriga Franca 2012, o registo muda, nota mais evidente na fruta, mas mantendo a mesma bela acidez, taninos firmes e aquela ideia de que devia haver mais monovarietais de Touriga Franca no mercado… também com 18 meses em madeira que não marcam demasiado, note-se os 13% de álcool, raridade nos tintos alentejanos de hoje. O meu ponto alto da prova…

 

Ainda houve tempo para mais duas provas: o Vinha das Romãs 2012, um belo tinto com passagem de 20 meses em madeira, e um lote pouco visto: Syrah-Touriga Franca (proporção 70/30%). Já tinha provado a edição de 2008, que já me tinha agradado, mas este vinho parece hoje mais ambicioso. E, finalmente, o topo de gama MR Premium 2012. Um vinho imponente, grande estrutura, além de Syrah e Touriga Franca o lote inclui Aragonês e Touriga Nacional. Ainda bem jovem, pede paciência, grande corpo, taninos imponentes, especiado presente. Fica uma impressão geral muito positiva, vinhos gastronómicos, nada cansativos, contidos no álcool, a convidar à prova do restante portfólio da casa.

 

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    Luis Pedroso

    Sobre Luis Pedroso

    Nasceu em 1977 em Lisboa, alguns meses após as vindimas dessa colheita lendária. No entanto, a curiosidade pelo mundo do vinho só se tornou uma paixão depois de outra grande vindima - a de 2007. Arquitecto com uma curta mas agradável experiência de trabalho numa Garrafeira.