Dizem que é a Borgonha Portuguesa, dizem que dali saem alguns dos mais míticos vinhos nacionais, dizem que a longevidade que possuem e as suas características se assemelham aqueles que para mim são os melhores vinhos do mundo, os tintos da Borgonha, mas esta “borgonha” está plantada no nosso quintal…claro que estou a falar do Dão.
Uma das regiões que tem sofrido algumas mudanças, umas para melhor, outras nem por isso, mas aqui haverá sempre opiniões contraditórias e é isso que faz com que a região ande para a frente.
Felizmente têm surgido alguns grupos de apoio á região e isto é muito importante!
Considerações aparte, seguimos para o vinho.
Este vinho já tinha sido provado num evento há quase 2 anos e na altura chamou-me bastante a atenção.
Uma cor ainda pouco evoluída, lagrima presente e com alguma persistência.
No nariz, mostra o perfil clássico do Dão, com alguma rusticidade, um vinho que me agradou muito pelo classicismo do nariz. Fruta preta, especiarias, couro e muito terroso.
Na boca revela uma boa estrutura, a acidez está lá para manter o vinho a evoluir e os taninos ainda a precisar de algum tempo para amaciar.
Dá uma bela prova, especialmente com pratos um pouco mais pesados, este foi provado com um bacalhau com broa e grelos. Resultou muito bem!
Destaque para o magnifico preço que tem, e pelos anos que ainda tem pela frente!
Nota:16
Preço: 3,95€
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em tempos bebi uma garrafa do 2004, salvo erro, e também foi um Dão com bastante carácter e tipicidade, que me agradou muito.
surpreende-me no entretanto a comparação do Dão com a Borgonha, e com todo o gosto que tenho pelos vinhos do Dão faz-me lembrar de alguma forma quem chame a Aveiro “a Veneza portuguesa”.
acho as semelhanças com a Bairrada muito mais marcadas, sendo duas regiões em que há uma casta destacada e predestinada para capturar a essência do sítio específico onde cresce numa garrafa!
Caro Thomas,
Percebo perfeitamente a sua surpresa!
Tambem concordo que a Bairrada tenha umas características que possam lembrar mais a Borgonha, a Baga e o Pinot.
No entanto, no Dão temos solos mais parecidos com a dita região…
Os vinhos transmitem essa mineralidade, e enquanto jovens, apesar de darem prazer notamos que os estamos a beber demasiado cedo.
Com a evolução, ganham mais personalidade, e muita elegância…como a Borgonha.. Ao passo que a Bairrada surpreende mais pela potência…
Acho que tanto uma comp outra poderiam bem ser comparadas… Mas devido á elegância dos seus vinhos, o Dão na minha opinião aproxima-se mais.
Muito obrigado pelos seus comentários, é um gosto trocar opiniões consigo!
mas então os solos na região do Dão não são maioritariamente graníticos, pelo menos mais nas encostas da serra onde se fazem os vinhos mais concentrados? tinha a ideia que grandes partes dos solos da Borgonha fossem calcários, e que isso também se aplicava a Bairrada… e curiosamente é mesmo na mineralidade que caracteriza muitos bons Bagas (e então bons espumantes feitos com Baga!) que eu encontraria outro paralelo com a Borgonha!
no Dão por outro lado o facto de haver varias castas no lote (e naturalmente isto é indispensável para os grandes vinhos do Dão, e é uma pena que mesmo a tão necessária Jaen anda a desaparecer gradualmente de muitos lotes, parece-me) para mim torna a expressão do “terroir” menos nítida, de alguma forma.
mas claro, concordo totalmente com o que diz sobre elegância vs potência!
obrigado pelo vosso site, que visito com muito prazer!
Meu caro,
Em relação aos solos esta totalmente correcto!
Embora acho que no Dão se encontra a moneralidade dos vinhos tontos mais marcada.
Relativamente aos blend vs monocasta, normalmente concordo com isso… Acho que os monocastas especialmente em algumas regiões conseguem exprimir melhor o Terroir.
No Dão, mesmo com ps. Blenda acho que as castas exprimem bem a relação das plantas com os granitos.
Na Bairrada e por serem algo brutos quando novos, por vezes esta mineralidade fica um pouco perdida no meio de tanta adstringência…
E estou de acordo consigo quanto a Jaen, tenho provado uns vinhos fantásticos feito com esta casta.
Mas acho que o Alvaro de Castro esta a fazer um excelente trabalho, assim como o Joao Tavares Pina e os seus Terras de Tavares… Vinhos que recomendo vivamente!
a julgar pela tua prova, de facto um preço absurdo… mas no dão isso já vem sendo frequente. quanto à marca, tenho que conversar com o produtor acerca do naming… a seguir vem o quê, o “varanda da cremalheira”?
Loool Luís,
Esquece o nome… Vai á Garrafeira Campo de Ourique e compra!
Eu tenho de lá passar outra vez… Vou comprar para guardar mais uns aninhos!
Nunca o vi à venda! Será que só na Garrafeira de Campo de Ourique é que há?
João, tu que lá vais de vez em quando, não me queres comprar 2 botelhas?
Tive o prazer de provar este vinho, contigo, e só me posso juntar aos elogios. Magnífico na relação qualidade/preço. É um vinho que dá muito prazer a beber.
Podes crer amigo,
Temos la uma guardada….deixa estar mais uns anitos a ver o que dá.
Sabes bem que eu não sou forte a guardar…