Primeira Paixão Verdelho (2014)

Há uns anos comprei um vinho da Madeira. O rótulo era apelativo, o enólogo era conhecido e a casta era para mim um mistério. Falo do Primeira Paixão Verdelho 2008.

Lembro-me bem do vinho, da subtileza que tinha nas nuances de madeira e no volume que apresentava na boca. Era um vinho impressionante tanto no nariz como na boca. Comprei mais umas quantas garrafas para ver a evolução dele e ainda tenho uma em cave, deitada e à espera da oportunidade perfeita para o provar.

Quis o destino que eu cruzasse caminhos com o produtor deste vinho e desde então tenho a certeza que ganhei mais um amigo e alguém a quem respeito muito pelo trabalho que tem feito para promover, não só os seus vinhos, mas também todos os outros vinhos da Madeira.

Um dia ligou-me a dizer que estava em Lisboa e que queria ter a minha opinião sobre o seu novo vinho: Primeira Paixão Verdelho 2014. Seria eu o primeiro a provar o vinho, o que, para além de uma honra, era também uma grande responsabilidade.

O vinho não esconde as suas origens, com os solos vulcânicos a transmitirem muita mineralidade ao nariz. Tem ainda algumas notas tropicais a lembrar ananás verde, devido ao recente engarrafamento, mas o que mais impressiona é a definição deste nariz. Notas citrinas misturadas com leve toque de flor de laranjeira e traços de gengibre, que lhe dá um toque de especiarias frescas muito bom. É elegante, pouco exuberante, com muitas notas de pedra molhada e aquele toque de frescura que só os vinhos provenientes de solos vulcânicos conseguem.

Na boca é um vinho austero, muito sério e ainda muito jovem, que se mostra ainda um pouco “mexido” e a precisar de afinar. Em termos de perfil faz lembrar alguns dos grandes vinhos do mundo, onde a casta é apenas um veículo para transmitir as características do solo de onde provem.

Este Verdelho é um excelente condutor do solo de basalto, da proximidade do mar e da altitude das vinhas onde está plantado. É um vinho mineral, cítrico com uma acidez cortante e bem marcada que contrabalança bem com a estrutura que apresenta. O conjunto torna-o um vinho muito fresco e muito versátil para a mesa. O Primeira Paixão Verdelho está ainda muito jovem, ms tem uma longa vida pela frente.

Este é daqueles vinhos que são autênticas armas para os escanções capazes de surpreender e que, na minha opinião, combina bem com tudo o que tenha a ver com o mar, como Ostras e peixes gordos, mas que também vejo na mesa ao lado de comida nepalesa ou um caril de gambas.

Nota: 17,5
Preço:18€

Primeira Paixão Verdelho

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    Joao Chambel

    Sobre Joao Chambel

    ETOVLiano apaixonado e sommelier. Os vinhos são a sua vida e paixão! Brancos, tintos, rosés, fortificados, espumantes, nacionais e estrangeiros, novos e velhos... A Bairrada é uma das suas regiões de eleição e faz regulares transfusões de Baga e Borgonha.