Primus (2007)

Pusemos, mais uma vez, Álvaro de Castro à prova e, desta vez, com expectativas BEM altas. Já provámos ( e aqui escrevemos sobre as provas de) vinhos do Álvaro de […]

Pusemos, mais uma vez, Álvaro de Castro à prova e, desta vez, com expectativas BEM altas.

Já provámos ( e aqui escrevemos sobre as provas de) vinhos do Álvaro de Castro: PAPE, Carrocel, DODA, Saes entre outros (a resenha dos dois primeiros aparecerão brevemente ). Trata-se  indiscutivelmente de um grande senhor do panorama vínico nacional.

Trata-se de alguém que, por teimosia ou casmurrice, quis devolver ao Dão a glória de outrora e mostrar que os vinhos desta região pode competir, sem problemas, com os melhores Douros e Alentejanos. E se nos tintos isso é já indiscutível, nos brancos isto era um mistério para mim.

Mistério ainda maior constituía este Primus, um branco premiado e muito falado, que nos salta à vista, mesmo antes de  a tirar a rolha, pelo seu preço.

Quando pago 30.00€ por um vinho tinto, espero encontrar um GRANDE vinho. É um patamar no qual já há vários vinhos soberbos e no qual se admitem poucas desculpas ou falhas.

Pagar 30.00€ por um vinho branco é colocar uma fasquia MUITO mais alta, muito mais perigosa. Este preço num branco equivale, a meu ver, a cobrar 100 ou 150 euros por um tinto. Ou seja, estamos em patamares de preços nos quais a qualidade tem de ser indiscutível e não pode ser questionada.

A parte mais engraçada foi que ,embora eu já tivesse ouvido falar do Primus, não sabia muito sobre ele. Portanto, não sabia mesmo o que esperar daquele vinho que ia vertendo para o meu copo.

Ao provar, a primeira coisa que me ficou registada foi a neutralidade do vinho: não é um vinho floral, nem frutado. É puramente mineral, inerte. Tem pequenos rasgos de limão e chá, mas no seu todo é um vinho muito fino e sem “artifícios”.

É um vinho branco que, ao contrário do que eu  esperava, não é muito “vaidoso” nem “vistoso” . Aliás, faz da negação disso a sua bandeira e seu estandarte: um vinho com corpo, mineral e muito bem estruturado.

Um vinho que convida a ser bebido com pratos finos e delicados, que não lhes tapem o sabor, que não o adulterem. Sushi será um óptimo complemento de refeição para um vinho como este.

Primus é um vinho que gostei de beber, mas que dificilmente irei comprar novamente, pois custa-me justificar os perto de 30.00€ pedidos por este vinho… mas é um óptimo vinho.

Nota Pessoal : 16.5

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    Gonçalo Proença

    Sobre Gonçalo Proença

    Conhecido pelo seu amor ao Dão e seus vinhos tendo, no entanto, uma grande paixão pelo Vinho do Porto, sobre o qual escreve - e o qual bebe - regularmente !