Pusemos, mais uma vez, Álvaro de Castro à prova e, desta vez, com expectativas BEM altas.
Já provámos ( e aqui escrevemos sobre as provas de) vinhos do Álvaro de Castro: PAPE, Carrocel, DODA, Saes entre outros (a resenha dos dois primeiros aparecerão brevemente ). Trata-se indiscutivelmente de um grande senhor do panorama vínico nacional.
Trata-se de alguém que, por teimosia ou casmurrice, quis devolver ao Dão a glória de outrora e mostrar que os vinhos desta região pode competir, sem problemas, com os melhores Douros e Alentejanos. E se nos tintos isso é já indiscutível, nos brancos isto era um mistério para mim.
Mistério ainda maior constituía este Primus, um branco premiado e muito falado, que nos salta à vista, mesmo antes de a tirar a rolha, pelo seu preço.
Quando pago 30.00€ por um vinho tinto, espero encontrar um GRANDE vinho. É um patamar no qual já há vários vinhos soberbos e no qual se admitem poucas desculpas ou falhas.
Pagar 30.00€ por um vinho branco é colocar uma fasquia MUITO mais alta, muito mais perigosa. Este preço num branco equivale, a meu ver, a cobrar 100 ou 150 euros por um tinto. Ou seja, estamos em patamares de preços nos quais a qualidade tem de ser indiscutível e não pode ser questionada.
A parte mais engraçada foi que ,embora eu já tivesse ouvido falar do Primus, não sabia muito sobre ele. Portanto, não sabia mesmo o que esperar daquele vinho que ia vertendo para o meu copo.
Ao provar, a primeira coisa que me ficou registada foi a neutralidade do vinho: não é um vinho floral, nem frutado. É puramente mineral, inerte. Tem pequenos rasgos de limão e chá, mas no seu todo é um vinho muito fino e sem “artifícios”.
É um vinho branco que, ao contrário do que eu esperava, não é muito “vaidoso” nem “vistoso” . Aliás, faz da negação disso a sua bandeira e seu estandarte: um vinho com corpo, mineral e muito bem estruturado.
Um vinho que convida a ser bebido com pratos finos e delicados, que não lhes tapem o sabor, que não o adulterem. Sushi será um óptimo complemento de refeição para um vinho como este.
Primus é um vinho que gostei de beber, mas que dificilmente irei comprar novamente, pois custa-me justificar os perto de 30.00€ pedidos por este vinho… mas é um óptimo vinho.
Nota Pessoal : 16.5
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Gonçalo,
O Primus… que vinho, para mim os brancos do Dão são uma paixão.
Gosto da mineralidade, do equilibrio e elegância, e da acidez quase “cortante”.
São grandes companheiros, como bem referiste á mesa, mas quando já têm algum tempo em garrafa como este 2007, temos a noção que ainda são “jovens”….
Infelizmente cá em Portugal quando vemos um branco já com alguns anos, torcemos logo o nariz, mas há brancos pelos quais vale a pena esperar! Na Bairrada os brancos também envelhecem muito bem e tenho apanhado grandes surpresas…
Se há vinhos que devem ser bebidos jovens, este para mim, é daqueles que merece ser guardado durante uns anitos.
Quanto a Alvaro de Castro…que dizer!? Um Senhor do vinho em todos os aspectos, um perfeccionista e apaixonado pelo Dão…e este Primus penso que transmite isso mesmo, nada esta fora do lugar, tudo em contenção e elegancia.
Peço desculpa por me ter alongado no comentario…Parabens por mais um belissimo artigo!
Caro Gonçalo,
Tive oportunidade de provar ontem este vinho. Concordo com o comentário, embora a minha desilusão tenha sido superior à tua. Muito mineral e com algumas notas de citrinos pareceu-me um vinho simples. Em nada justifica os €30 pedidos. Mais tarde na noite bebi uma garrafa de Pape 2003.. aí Alvaro de Castro mostra todo o potencial do Dão.. que bomba de sabor.. que GRANDE vinho.