Puro (2008)

Este vinho é feito por Jorge Rosas, produtor do magnífico Quinta da Touriga Chã, e surge como tributo ao seu bisavô, que na altura em que o Douro exportava vinhos do Porto, decidiu engarrafar um vinho sem ser aguardentado, daí o nome…

Uma breve consulta ao dicionário e aparece a definição de Puro como sendo : Virtuoso, Sem Maldade, Sem Impurezas, Límpido…E efectivamente assim é este vinho…tirando a parte do Sem maldade, pois acho que é uma maldade haver um vinho assim e nem toda a gente o conhecer e é uma maldade para alguns vinhos bem mais caro que este…mas isso é outra história…

É um vinho fenomenal, assim como o irmão mais velho, o Touriga Chã, este vinho eleva a fasquia da relação qualidade preço e coloca-se num patamar muito acima.

Um vinho de cor vermelha escura a mostrar contenção e seriedade, é um vinho que se nota desde o início encorpado… mas esta é a primeira impressão que se tem de alguns vinhos, que serão vinhos sérios e depois…ficam pelo caminho…

Confesso que tinha grandes expectativas em relação a este vinho, e não fui defraldado, antes pelo contrario…fiquei impressionado pela qualidade que apresenta e pelo preço que custa…mas já lá vamos….

Quando se leva o copo ao nariz, nota-se alguma juventude no aroma, e alguma contenção, mas quando começa a abrir o vinho revela um aroma clássico, especiarias, notas tostadas, fruta preta madura…um aroma cativante que nos empurra o copo para a boca…

Na boca é um vinho muito rico, com um volume notável, enche-nos a boca com uma subtileza e garra, é um vinho complexo, com a fruta a mostrar uma qualidade notável, chocolate amargo e pimenta juntam-se a traços mais minerais é dono de uma frescura e acidez super equilibradas, taninos presentes e com raça a mostrarem que este vinho tem muito para andar e que vai afinar ainda mais na garrafa.

Um Douro que para mim se vai rapidamente tornar num “benchmark”… se há vinhos pelos quais todos os vinhos com preços acima são julgados, este para mim é um deles.

Um vinho que custa á volta dos 12€, oferece o Caractér e a Raça do Douro e certamente continuará a evoluir e afinar…

Um agradecimento ao produtor por ter posto á nossa mesa um vinho imperdível…

Nota:17

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    Joao Chambel

    Sobre Joao Chambel

    ETOVLiano apaixonado e sommelier. Os vinhos são a sua vida e paixão! Brancos, tintos, rosés, fortificados, espumantes, nacionais e estrangeiros, novos e velhos... A Bairrada é uma das suas regiões de eleição e faz regulares transfusões de Baga e Borgonha.