Este vinho é produzido na sobejamente conhecida região de Bucelas, uma das mais antigas regiões demarcadas, e também a única região demarcada nacional para a produção de Brancos.
Em terras de sua majestade, o Arinto, também se produzem bons tintos, apesar de serem certificados com a denominação da CVR de Lisboa, coisa que para muitos ainda é sinonimo de vinho “a martelo”….e é com este estigma que a região há muito se debate, felizmente que os vinhos têm vindo a provar o contrário, e a calar certas vozes que teimam em maldizer esta região.
A Quinta do Avelar foi um das primeiras a produzir tintos em terras de brancos e nas meias encostas e vales que ladeiam o rio Trancão com os seus solos argilo-calcáreos, microclima e exposição solar tem um terroir de excepção.
A média de idades das vinhas que constituem este vinho anda nos 80 anos… vinhas velhas sem dúvida.
O lote, esse é constituído por Camarate, Castelão, Tinta Miúda e Trincadeira resultando num vinho de cor jovem vermelha viva.
No aroma mostra-se pouco conversador, algo fechado e sisudo, detectam-se as notas vegetais, alguma mineralidade com a fruta bastante tímida, detectam-se alguns traços de madeira, mas sem marcar… tímido mas com elegância…
Na boca, a fruta já marca a presença com nuances de especiaria, um conjunto bem harmonioso, com uma excelente acidez, e o estagio em barricas usadas a conferir carácter mas mais uma vez sem se sobrepor. Um excelente companheiro para a mesa.
Acho que este vinho tem potencial para evoluir ainda na garrafa, e penso que daqui a uns tempos vai dar uma excelente prova e por 6€ é de comprar umas garrafinhas para guardar.
Para quem ainda olha de lado para a região de Lisboa, aqui esta mais uma prova que no mundo do vinho as coisas também evoluem, pena que algumas pessoas não façam o mesmo!
Nota: 16,5
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Por acaso não “conheço” este vinho e pelo preço…parece-me apelativo( para a primeira experiência). Da região de Bucelas posso dizer que vejo com bons olhos uns….mas outros já não me convencem tanto. Gosto do Morgado de Sta Catarina da Romeira e o Clássico da Murta também é bem vindo
. O chão do Prado ( já degustei as três versões) não me fascina muito… Relativamente aos tintos…acho que a Murta tem conseguido bons feitos e aqui entra sem dúvida nenhuma o bom trabalho do Hugo e o Boição Special Selection tinto da Enovalor está bem feito.
Uma boa região, sem dúvida, mas que ainda tem muito o que percorrer para igualar-se (em termos de atractividade enoturística) a outras regiões do país e isso dificulta um pouco a descoberta destes bons produtos.
já agora…o Chambel comprou directamente ao produtor?
Carla,
Obrigado pelo comentário.
Quanto á região em termos enoturisticos, já vai felizmente havendo alguma oferta, nada que se compare ao Douro ou Alentejo, mas também por ser uma região menos falada e muitas vezes desprezada….
Posso dizer que tenho provado alguns vinhos desta região que fariam corar alguns durienses e alentejanos…mas isso é uma opinião muito pessoal, e enquanto as pessoas não começarem a olhar para estas regiões com outros olhos é natural que a oferta enoturistica não cresça muito…
Quanto aos vinhos desta região, tenho notado uma grande subida em termos qualitativos, vinho de guarda, vinhos que dão prazer, enfim de tudo um pouco…e ainda bem que assim é!
Reconheço no entanto que há produtores desta região que fazem vinhos, só por fazer, ou para vender a granel mas já se nota que alguns se vão aprecebendo do potencial desta região… Há claro muito trabalho ainda para fazer, mas nesse campo nós consumidores temos também um papel a desempenhar, seja no provar os vinhos sem ideias pré-concebidas, seja na divulgação dos vinhos que por estas regiões se fazem, e por vezes pensamos que ao escrevermos ou falarmos destes vinhos que ninguém se aprecebe, mas na verdade não é bem assim… Aqui o pessoal que escreve sobre vinhos tem mesmo uma voz activa, e já temos tido provas disso…
Quanto a este vinho, foi comprado no El Corte… Também há um Quinta do Avelar Arinto, mas esse fica para uma próxima review!
Mais uma vez obrigado!!
sim, o Arinto já comprei no Corte Inglês mas este tinto escapou-me.Quanto aos “DOC Bucelas”…acredito que apenas me escapa um: o Chiado
Relativamente à região e ao que por lá vai sendo produzido, tenho a minha dúvida relativamente a alguns exemplares que, na minha sincera opinião, não valem o valor que pedem por eles.
Aí também estamos de acordo… Há por ali vinhos que efectivamente não valem o preço…mas isso infelizmente há em todo o lado…
Já agora Carla, que tal o Arinto?!
Encontrei um vinho com alguma frescura (uma característica muito comum neste vinhos de Bucelas) e um certo equilíbrio nas notas frutosas. Faz parte do grupo de vinhos bem feitos…não digo que seja a excelência dos vinhos brancos nacionais mas é o que eu chamo de “honesto”
Obrigado Carla,
Como disse fiquei curioso com ele e confesso algo expectante…
Mais uma vez obrigado.
a meu ver a regiao de lisboa ha muito se desligou desse estigma. hoje, é mais o ribatejo a apanhar com ele sozinho…
Obrigado pelo comentário Luis,
Mas não é essa a impressão que tenho, é verdade que o Ribatejo também sofre um pouco com esse estigma, mas tem-se destacado e muito, basta ver o exemplo de vinhos como o Tagus Creek e o Tributo, que já arrebataram medalhas tanto a nível nacional como estrangeiro, ou o Quinta da Alorna…
Dos produtores com quem falo na região de Lisboa, ainda sentem que existe bastante desconfiança por parte dos consumidores…
No Ribatejo não acho que seja tanto assim pois devido aos prémios que tem arrecadado as pessoas começam a olhar com outros olhos….
Lembro-me que quando o Tributo ganhou o prémio WS esgotou numa semana…
Meu caro João, um texto bem elegante e cheio de informação (gosto sempre aprender). A região de Bucelas tem sido muito associada aos vinhos brancos; dos tintos não me lembro de ter provado algum…
Parece-me uma óptimo opção, para acompanhar, que alimentos recomendas?
abraço
Obrigado Pedro!
Este vinho e pela sua jovialidade aguenta bem pratos especiados e com temperos fortes devido á acidez!
Este vinho com uma carne de porco á alentejana ou um naco de vitela com cogumelos salteados com um bechamel de queijo da serra deve ir bem!
Se quiseres ir para o peixe, talvez um peixe assado no forno…
Abraco!
Gosto muito dos brancos de Bucelas, mesmo nas gamas mais baixas, mas acho que nunca provei um tinto de lá. Fiquei com vontade e curiosidade, whishlist com ele!
Minha cara, eu percebi. O sono, esse bandido! Lol
Vou já lá ao Avelar. Primeiro o Carrafouchas.
Quinta das Carrafouchas é uma pequena propriedade que se encontra mesmo antes da entrada do Infantado – Loures (Fica, mais precisamente em a-das-lebres). São 4 ha de tinto e um de branco. O encepamento tinto tem Touriga Nacional e Aragonês. Encontra-se no mercado a primeira colheita e temos mais duas em estágio (a que vou apresentar é a 2009 -2ª). O projecto já tem quanto a mim muita consistência não fosse o produtor, um profundo apaixonado pela coisa das vinhas e viticultura. Vou-vos contar muitas histórias acerca deste homem, mas… não para já!
Todo o processo é muito cuidado e por isso, estou certo que em pouco tempo consigamos chegar ao patamar de excelência que se pretende.
Sobre o Avelar, não conheço o vinho e é um vizinho que nunca visitei (que grande vergonha tenho em assumir isto!). Não posso falar. Contudo, tenho provado vinhos igualmente interessantes feitos pela enoport na quinta do boição e, estou fã incondicional do nosso touriga Nacional de 2005 aberto de um dia para o outro. Foi vinho que descontinuámos, pois o mercado não o quer. Na sangria que é esta história de vinhos novos, bem feitinhos, os vinhos que têm um carácter menos “barbie e ken” pura e simplesmente não se vendem. Não os podemos fazer.
Resumindo, Não a aconselharia ninguém a plantar vinhas tintas em Bucelas, se insistissem que usassem castas de ciclo curto. Aconselharia a quem as tem a fazer vinhos virados para o envelhecimento que, é ai que se mostram verdadeiramente apetitosos, diferentes e inspiradores.
Fugi muito ao que me pediu? : S