Um destes dias, o Nuno Vieira liga-me e diz-me que descobriu um santo graal : uma loja, perdida nos confins quase à saida de Lisboa, onde a proprietária pura e simplesmente não muda os preços dos vinhos. É com aquele preço que compra, mete a comissão dela e ficam ali para o resto da vida. Independentemente de prémios, revistas, foruns, blogs ou anos.
Infelizmente, a escolha não é muita ( ou já está muito escolhido ) mas deu para comprar umas quantas garrafas mais antigas pela piada – como por exemplo este Quinta do Castro 1999.
Decantado como manda o figurino, ainda por cima com um areador, foi impressionante a diferença do vinho decantado+areado para o vinho vertido directamente da garrafa – e que diferença.
No nariz achei dos vinhos mais engraçados que já provei – nunca, em 29038429038 vinhos provados, me surgiu tão claro e definido o aroma da ginja. Não é frutos vermelhos maduros, não é frutos vermelhos isto e aquilo, aqui trata-se de ginja.
Essa ginja continua na boca o que faz um misto estranho e passo a explicar – os taninos estão lá e aparecem em crescendo – no primeiro gole o vinho é muito suave, polido e aveludado e depois aparece a ginja e alguma madeira e o vinho parece que é freco – está com força em termos de uva ( não necessáriamente em termos de aroma ou sabor ) , mas parece um vinho fresco.
E temos o final de boca – usando alguma palavra menos que “interminável” é injusto.
É um vinho que demonstra bem a qualidade dos vinhos da Quinta do Crasto – com 13 anos de garrafa, era de esperar um vinho amorfo e já em final de “estação”, especialmente porque estamos a falar de um vinho de entrada de gama da Quinta.
Mas não – ainda perdura com muita qualidade, muito polido e elegante – nota-se no entanto, alguma falta de complexidade de sabores – pena, que evoluiu tão bem em garrafa, mas provavelmente como é um vinho de “baixa gama” da Crasto, não teve grande coisa para evoluir tendo em conta a base.
Foi uma boa experiencia, mas face ao preço de venda, é dificil recomendar de peito aberto este vinho – para quem gosta de taninos suaves e longos finais de boca, é dificil no entanto de igualar..
Nota : 15.5
Preço : 20 a 25 euros
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Bem Gonçalo que belo texto!
É muito gratificante quando compramos um vinho antigo e ele ainda se mostra em condições!
Quanto á Quinta do Crasto e como sabes fizemos aquela vertical de Vinhas Velhas… Não há muito a dizer… Os vinhos respiram qualidade!
Na gama mais baixa que é o caso deste, os vinhos são muito bem feitos e tem potencial para passarem uns anos na garrafa…
Mais um para a minha Cave Virtual!
Obrigado pelos comentários João !
Quanto a este Crasto, foi uma agradável surpresa… mas uma surpresa simples.
O vinho era muito “bland”, era muito “plano” e sem complexidade… estava domado pelo tempo, mas não havia muito a domar desde o inicio infelizmente…
situação completamente contrária ao Crasto 2002 Vinhas Velhas que bebemos depois, esse sim.. já se mostrou fantástico
Aposto que o Gustavo vai ficar maluco com este texto…
Um Douro….e ainda por cima do Crasto…. Hehe
Gonçalo que bela descoberta, uma loja com vinhos semi perdidos. Quem compra o Quinta do Crasto compra sempre um vinho de qualidade mesmo que seja da gama mais baixa, porque o que fazem é de excelente qualidade como diz o João. Não me importava nada de ter provado essa pinga, lol. Um abraço e boas provas.
Nuno, entre os 5 euros que paguei por esta garrafa e os 15 que paguei pelo VV2002, a diferença vale TANTO a pena…
Ahhhh VV 2002…. Que vinho fabuloso!!!
Qualquer ano de Crasto VV é muito bom… Depois claro vai do gosto de cada um… Saudades do 2000 e do 2005….
Loja com vinhos “eternos”?!?!? À saída de Lisboa?!?! Onde Gonçalo…onde??? Ainda haviam lá muitos da Quinta do Crasto??
Epa esses vinhos são fabulosos! Aqueles terroirs…O Douro é de facto o verdadeiro “micro-clima” do vinhedo! Aquelas vinhas dão vinhos maravilhosos, super aveludados!! Adoro!! A família Roquette consegue, na paixão que coloca, aperfeiçoar ano após ano a qualidade dos seus vinhos! São fantásticos!!
João…com esses comentários e textos como este que o Gonçalo publicou, como é vocês querem que eu perca o facciosismo?!?!
Haviam cestas deles Gustavo, mesmo
Mas é como já tenho estado aqui a dizer, este vinho foi giro de se beber, mas desiludiu um bocadinho.. ao contrario do primo VV
Mas e onde é que é essa loja?? Disseste à saída de Lisboa…mais especificamente onde?
Sim, Vinhas Velhas é Vinhas Velhas!! Qualquer ano de VV deve ser muito bom!!
Provaste o 2008 comigo… Ja não te lembras!?!?
Por acaso não me lembro não!! Quando é que foi?
Ja o provaste mais que uma vez até!
Num jantar em minha casa… Que fui abrir a caixinha de madeira e quando fomos a Essência do Vinho… Há coisas que não se esquecem my friend!!
Em tua casa, agora que disseste, tenho uma vaga ideia sim, mas na EV não tenho ideia nenhuma!! Provámos tanta coisa que algumas delas desvaneceram-se!!
Sim mas na EV também provamos…
Ainda te vou abrir uma de Meruge 2004 para postares aqui sobre ele!
Meruge… nhammmm
Isso é que é falar!! Meruge 2004…agora sim podes dizer…há coisas que não se esquecem!!
Esse sei riqueza te ficou marcado!!! Pode ser que tenhas sorte…
Esse sei eu que te ficou marcado…
É um vinho muito bom mesmo!