Há vinhos maus, vinhos bons, e vinhos especiais: este instalou-se na última categoria, e rearranjou a mobília como uma sogra que veio para ficar. Não foi preciso uma prova prolongada, nem escolher um dia especial ou preparar um alimento rebuscado, o vinho conquista pelos seus predicados e dispensa qualquer tipo de companhia. Trata-se de um dos 3 vinhos que recebeu 96 pontos na Wine Advocate deste ano (a mais alta pontuação de sempre atribuída a um vinho de mesa português, ou seja, exceptuando os licorosos), e foi também o único vinho português a constar da lista “extraordinary wines” desta publicação.
O início custou, confesso. Não porque o vinho fosse mau, mas porque eu não o estava a beber. Um conselho que me foi dado pelo Mark Squires foi deixar o vinho respirar bem (O Mark Squires é o cronista da Wine Advocate que escreve sobre os vinhos portugueses e principal responsável pela nota atribuída ao vinho). Por isso, decantei o vinho que ali ficou umas boas 2 horas antes de ser consumido (pareceram-me 16, mas o relógio desmente-me).
No nariz o vinho mostrou-se poderoso, frutado, amadeirado, com um leve odor a cabedal. A cor é um rubi acastanhado, absolutamente opaco, lindíssimo. Na boca o vinho é aveludado, elegante, um vinho vestido de fraque, preparado para conquistar a sala. O sabor era de frutas pretas maduras, groselhas negras, com uma harmoniosa envolvência a caramelo, características que conferiam ao vinho um tom adocicado. Sente-se a madeira também no sabor, até de forma abundante, mas equilibrada. O vinho é ele próprio proporcional, tudo parece encaixar, fazer parte de um equação.
Os taninos estão bem presentes, porventura à espera dos anos passarem para eles próprios suavizarem, mas não se pense que é um vinho agressivo, longe disso, trata-se de um produto harmonioso, guloso q.b., extraordinariamente estruturado. O vinho é fascinante, e ainda tem muita margem para progredir em garrafa, só não sei é se saberei esperar para guardar o que ainda tenho, mas duvido…
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Pedro!!!!
Grande texto! Este vinho merece bem as honras que lhe foram atribuídas!
Para mim provavelmente e do que até agora provei é um dos 2009 mais afinado e harmonioso do Douro! É para mim o melhor Qta Vale D. Maria que provei!
Muito bom o texto….parabéns!!!!!
Se achas que não consegues guardar as garrafas manda la para minha casa que eu guardo-as!!!! Hehehe
Ahahahahah, obrigado João! Creio que vou ter de comprar mais uma ou duas e guardar algures num cofre com um temporizador que só o faz abrir daqui a 5 anos! Se não encontrar um cofre assim, olha, bebo-as!
Um vinho fabuloso!
Olha… Eu tenho um desses em casa… Hehehe esta á disposição!!!!!!
Olá sou um leitor assíduo deste vosso cantinho ao qual gosto bastante. Adoro as vossas descrições sobre os vinho que provoram ou que vão ainda provar, são textos muitos bem alinhados e enquadrados. Ainda só bebi este vinho em cima referido numa prova de vinhos e fiquei fã e concordo inteiramente com o que foi escrito em cima. Comprei 3 garrafas esta semana do Quinta das Bágeiras Garrafeira Pai Abel 2009 e queria saber a vossa opnião sobre esse vinho. Sei que a revista dos vinhos deu-lhe 18 valores em 20 e que disse maravilhas. Um abraço e boas provas.
Nuno, bem vindo e obrigado!
Se comprou o Pai Abel tem uma verdadeira bomba vínica nas mãos!
Posso dizer que o considero um dos senão o melhor branco português!
É um vinho magnifico que vai evoluir muito bem em garrafa e lhe garanto que tem vinho para mais 10/15 anos á vontade!
Ainda bem que comprou 3 garrafas porque o vinho esta a esgotar rapidamente!
Espero que quando abrir uma escreva aqui a sua experiência!
Olá, Nuno. Muito obrigada pelo seu comentário e pela sua avaliação positiva do nosso site. Bom, a Quinta das Bágeiras ganhou bastante reconhecimento em 2011-2012. Basta relembrar que Rui Falcão considerou o Quinta da Bágeiras Garrafeira Branco, o melhor vinho de 2011…
Eu ainda não provei nem o Garrafeira nem o Pai Abel, mas a priori, tenho a certeza que terá feito uma boa compra. O E tudo o vinho levou… vai ter um jantar só de Bairradas para a próxima semana, quem sabe o Quinta da Bágeiras não aparecerá…
Grande vinho, grande texto, grande Pedro…
Eu tive uma experiência menos informada do que a tua. No Dia de Reis (y sabes cómo a mí me encantan los Reyes) abrimos uma garrafa deste Qta Vale Dona Maria. Desconheço há quanto tempo estaria a respirar a garrafa quando o provei, pois foi o Nuno que a abriu antes de eu chegar.
Experimentei-o e achei-o banal, fechado, sem complexidade. Comi e continuei a achá-lo banal. E eis que, literalmente, de um gole para o outro, o vinho transformou-se!! A sério! E ficou espectacular: complexo, um final doce de frutas vermelhas, uma textura maravilhosa, um vinho tranquilo, mas entusiasmante, madeira…
Preciso urgentemente de o provar outra vez; e não consigo esperar até dia 6 de janeiro de 2013!
Caro Nuno, muito obrigado pelo seu simpático comentário, o nosso objectivo é mesmo esse, escrever de forma descomprometida, espero que um dia tenhamos textos seus aqui. Um abraço
Obrigado Rita, penso que terá sido porque o vinho não respirou convenientemente. No meu caso, como foi decantado com antecedência, libertou os aromas com maior equilíbrio. Desde o primeiro gole que foi pura magia, provocou um esgar de satisfação imediato. Experimenta outra vez (de preferência comigo!!!)
Muito obrigado pelas palavras de todos. Em relação ao Pai Abel 2009 estava a pensar em abrir uma garrafa agora e guardar as outras 2 para saber a sua evolução. Boas provas….
Acho que faz muito bem!
O vinho está fabuloso, vai ver que não vai ficar desapontado…
MAs daqui a uns aninhos gostava de saber a sua opinião…pois acredito que vai evoluir com grande caracter!
Contudo…não deixe de o provar agora…!
Bem, que temos vinho, ninguém duvida.
Agora, quanto ao tempo de abertura da garrafa é que já não estou de acordo. Ou melhor, até posso estar, mas é uma questão de gosto.
Assim que abri a garrafa provei um copo e achei o vinho poderoso, mesmo a meu gosto. Como tinhas dito que o Mark Squires dizia que era para respirar, esteve umas duas horas aberto antes de o voltar a beber… e já não fiquei tão contente. Gostei na mesma, mas já não o senti um vinhão.
Os vinhos, tal como todos os outros quadrantes, estão sujeitos a modas e a tendência reinante entre os provadores internacionais, de momento, parece-me ser os vinhos elegantes. Eu prefiro-os bombásticos. Como tinha dito antes, são gostos.
Tenho lá outra garrafa em casa, mas para a próxima, por mim, não respira nada…
Tive a honra de beber o de 2001. Sublime!
Tive a honra de beber 0 2001. Sublime!
Pedro Sousa : q
Pedro Sousa : que inveja….
Caro Pedro, o de 2001 ainda não provei, mas como os Quinta Vale D. Maria têm mantido um registo constante, só pode ser excepcional. Abraço
Sigo já há algum tempo este site , e tem sido um prazer ler os tópicos que são aqui publicados. Muitos parabéns.
Hoje registei-me no site com o propósito de saber a vossa opinião sobre a colheita de 2006. Adquiri uma garrafa a pouco tempo e quero saber o que me espera
Entretanto esta de 2009 já foi para a minha cave virtual.
Cumprimentos
Bom dia Caro José! Benvindo!!!
O ano de 2006 foi um ano um pouco estranho do Douro… Depois de uma colheita clássica de 2005 e com o furor que fez essa colheita os 2006 sofreram com isso…
Quanto ao Vale D. Maria e conhecendo o trabalho deles o vinho convertera esta muito bom!
Pode não ser um vinho poderoso, mas vai encontrar de certeza outros atributos como a elegância, complexidade e vai com certeza gostar do vinho! E esta numa altura boa para ser bebido!
Tenho provado 2006 muito bons outros nem por isso… Mas o Qta.Vale D. Maria esta bom quase de certeza!
Mas faça assim, abra…beba e publique aqui a sua opinião sobre o mesmo!
Obrigado!
Muito obrigado Caro João Chambel. Irei seguir a sua recomendação
cumprimentos
Caro José!
Não se esqueça de depois fazer aqui a sua critica ao vinho!
Estou curioso em saber como esta esse 2006…
Os Crastos 2006 especialmente o Vinhas Velhas esta muito bom!
Ja o Vale Meão 2006 deixou um pouco bastante a desejar.
Por isso gostava de saber como esta o Vale D. Maria!
Pedro,
Já tive a oportunidade – ontem – de abrir uma destas Quinta Vale Dona Maria.
Tal como o Nuno, concordo com o critério que este vinho não deve ficar muito tempo a respirar – mal se abre ele mostra toda a sua raça e vivacidade, extrapoladas.
Adorei o vinho, pese embora vai-se transformando e perdendo alguma força com o tempo mas… que vinho fantástico !