
No solar do Alvarinho, em Melgaço, perante uma dinastia de verdes alinhados em V, fiz saber ao organizador das provas, que, para mim, o trono era ocupado pelo Soalheiro. Compreendendo que, nos verdes, eu tendo para os mais frutados, apresentou-me o Reguengo de Melgaço 2010, um Alvarinho que é todo maçã.
Tanto o aroma como o sabor deste vinho dourado límpido evocam uma maçã verde, fresca, ácida. Daquelas maçãs que têm gotículas de água a escorrer pela casca nos anúncios de hipermercados.
Esta maçã verde, no nariz, é agradavelmente reduzida por notas citrinas e amargas de toranja. Esta conjugação entre o ácido doce e verde da maçã e o ácido amargo e rosa da toranja resulta num cheiro tão fresco, que lembra a casca da lima.
Ainda esta maçã, na boca, ao entrar em contacto com a acidez do Alvarinho, amadurece e torna-se levemente doce, sabor que se delonga até ao final de boca. Noto que não é um vinho com mineralidade, pois vai buscar a sua frescura à fruta. Chego mesmo a considerá-lo um Alvarinho menos leve que alguns dos seus pares.
Reguengo de Melgaço 2010 é um Alvarinho que consegue ser extremamente frutado, apostando deliberadamente mais na frescura do que no doce, mas que não deixa nunca a acidez sem redução. Por tudo isto, ganhou o direito de se sentar na ala dos frutados, à direita do Rei, nesta corte dourada de um reino tão longínquo e desconhecido de Lisboa.
Preço: 6 euros
Nota: 14 valores
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Muito bom Rita, e mais um belo texto
Obrigada, Pedro! A selecção foi difícil nos Alvarinhos a trazer… são tantos e desconhecidos. Ainda tenho uns aqui para provar!
Rita,
Faço minhas as palavras do Pedro.
Quanto aos Alvarinhos são vinhos fascinantes e conseguem encontrar-se verdadeiras pérolas…
Este Reguengo de Melgaço não o provo há algum tempo… Mas depois deste texto… Não deve demorar muito!
Obrigada, João! Eu ando fascinada com as descobertas que fiz na Rota do Alvarinho. Este não é um vinho exuberante, é um vinho de nota 14, mas que tem duas particularidades: um nariz muito forte e original (aroma de lima ou folha de laranjeira) e o facto de ter muita maçã verde.
Obrigada, mais uma vez!
A Rota dos Alvarinhos foi uma experiência única e muito aprendemos com as diversas provas e até com a prova da uva propriamente dita. Este Reguengos de Melgaço foi um vinho que me encheu as medidas quando nos deram a provar no Solar do Alvarinho.
A verdade é que já em casa e num registo “garrafa inteira” me desiludiu um bocadinho, por achar que tinha um final de boca demasiado doce e pouco fresco.
Numa coisa estou plenamente de acordo com a Rita, apesar das inúmeras provas o Soalheiro continua a ocupar o lugar cimeiro dos Alvarinhos!
Sou sincero : por várias condicionantes, nunca me virei para os Alvarinhos não fosse a vossa influência.
Hoje em dia dos meus brancos de eleição ( bom verdes ! ) para uma bela tarde e aguçou-me imenso o apetite fazer 400kms e ir até lá acima conhecer a vossa famosa Rota dos Alvarinhos.
Nem que seja para ir ao templo onde é feito o Soalheiro…
quanto a alvarinhos, a minha maior curiosidade agora seria provar o primeiras vinhas do soalheiro. e já agora, mas da casta loureiro, o casa da senra, acerca do qual os donos da loja falam muito bem. este a um preço bastante acessível.
Luís, o primeiras vinhas é um vinho muito a sério. Um Soalheiro em versão 2.0. Recomendo vivamente. E já não é muito fácil encontrar, pois estive na Quinta do Soalheiro e nem lá o consegui adquirir. O Soalheiro também fez um vinho com Loureiro, a review está para breve!