Reguengo de Melgaço 2010 (Na Rota do Alvarinho II)


No solar do Alvarinho, em Melgaço, perante uma dinastia de verdes alinhados em V, fiz saber ao organizador das provas, que, para mim, o trono era ocupado pelo Soalheiro. Compreendendo que, nos verdes, eu tendo para os mais frutados, apresentou-me o Reguengo de Melgaço 2010, um Alvarinho que é todo maçã.

Tanto o aroma como o sabor deste vinho dourado límpido evocam uma maçã verde, fresca, ácida. Daquelas maçãs que têm gotículas de água a escorrer pela casca nos anúncios de hipermercados.

Esta maçã verde, no nariz, é agradavelmente reduzida por notas citrinas e amargas de toranja. Esta conjugação entre o ácido doce e verde da maçã e o ácido amargo e rosa da toranja resulta num cheiro tão fresco, que lembra a casca da lima.

Ainda esta maçã, na boca, ao entrar em contacto com a acidez do Alvarinho, amadurece e torna-se levemente doce, sabor que se delonga até ao final de boca. Noto que não é um vinho com mineralidade, pois vai buscar a sua frescura à fruta. Chego mesmo a considerá-lo um Alvarinho menos leve que alguns dos seus pares.

Reguengo de Melgaço 2010 é um Alvarinho que consegue ser extremamente frutado, apostando deliberadamente mais na frescura do que no doce, mas que não deixa nunca a acidez sem redução. Por tudo isto, ganhou o direito de se sentar na ala dos frutados, à direita do Rei, nesta corte dourada de um reino tão longínquo e desconhecido de Lisboa.

Preço: 6 euros

Nota: 14 valores

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    Rita Bueno Maia

    Sobre Rita Bueno Maia

    Administradora e autora da célebre máxima do ETOVL, que entrou na gíria popular: "Quem traz alvarinho, não fica sozinho e quem traz baga, é porque já é da casa."