ETOVL convida: Brian Julyan, CEO Court of Master Sommeliers

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Brian Julyan e Joao Chambel falando com José Baeta das caves Viúva Gomes

 

Orgulhosamente, inauguramos este espaço de entrevista – ETOVL CONVIDA  - com Brian Julyan, o Chief Executive Officer do Court of Master Sommeliers. Desde que João Chambel descobriu o ponto fraco de Brian, a saber, o querer conhecer mais os vinhos de Carcavelos e Colares, que o ETOVL convida passou de uma simples entrevista para um dia cheio de visitas a produtores, de gastronomia e de provas com dezenas de vinhos portugueses.

Se o simples facto de poder estar com alguém que (1) fundou em 1977 o Court of Master Sommeliers, (2) editou livros sobre vinho e sobre o seu serviço, (3) é responsável pelos cursos finais de todos os Master Sommeliers e (4) lecciona por todo o mundo;  se (dizíamos) o simples facto de estar com alguém com este currículo  pode parecer algo atractivo e entusiasmante, não deixaremos de confessar algum nervosismo quando nos vimos, de um momento para o outro, responsáveis por lhe dar a conhecer as duas particularidades vínicas de Portugal que são Carcavelos e Colares.

 

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 Garrafas de 1934, na Adega Viúva Gomes, em Colares, que mereceram a admiração de Brian

 

No entanto, como todas as pessoas que detêm um magnetismo especial, Brian é uma pessoa extremamente afável, entusiasta e comunicativa. O dia foi muito longo (das 9 da manhã até altas horas da madrugada), mas repleto de surpresas e histórias. Brian fala com muito orgulho na profissão de sommelier e realça a sua importância nos dias de hoje.

 

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Um dos pontos altos do dia: ver ao vivo as tão singulares e sui generis vinhas de Colares

 

Brian Julyan: O Sommelier é muito diferente de um Master of Wine. Nós (os sommeliers) somos pessoas da parte da frente do serviço, ou seja, estamos em contacto directo e constante com o cliente. É dada uma importância imensa ao cliente ou, mais particularmente, aos desejos do cliente. Quando trabalhava como sommelier em Torquay, cidade onde presentemente vivo, um cliente pediu para acompanhar o almoço duas garrafas de Château d’YquemRapidamente retorqui: que óptima escolha para acompanhar o seu almoço. O melhor vinho de colheita tardia do mundo!

Brian conta várias vezes esta história verídica nos cursos, porque consiste num bom exemplo de como um sommelier deve proceder perante o seu cliente. Seria Yquem o vinho perfeito para emparelhar com o almoço? Provavelmente não. Mas era o vinho que o cliente queria. Assim sendo, Brian, mediante uma pequena observação, informou o cliente, sem nunca o contradizer, que estava a escolher um colheita tardia, ou seja, uma vinho adocicado. Uma maneira subtil e elegante de orientar o cliente, sem imposição.

Mas não só com o cliente trabalha o sommelier. Segundo o CEO do Court of Master Sommeliers, o trabalho do escanção passa por uma óptima ligação com o chef e com a cozinha, pois um bom sommelier deve emparelhar a comida com os vinhos e, se há clientes que sabem o que querem, há outros que gostam de seguir a orientação do sommelier.

 

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Brian Julyan à conversa com João Chambel

Brian tem vindo a acompanhar uma nova tendência particularmente notória nos EUA: os Master Sommeliers têm vindo a ser colocados como responsáveis das grandes distribuidoras de vinho. Achámos algo estranho, mas foi-nos imediatamente esclarecido, com um sorriso: “Sabem, um sommelier sabe falar com outro sommelier. Por isso, as grandes companhias têm toda a vantagem em ter um sommelier à frente das suas vendas.”

Um amante de terroir, Brian é fascinado pelo solo e pelas características que o mesmo dá à uva e ao vinho. Contou muitas histórias sobre o boom inicial dos vinhos nos Estados Unidos e sobre a perfeita “descultura” dos produtores americanos relativamente ao solo. A visita a produtores de Colares com Brian foi fantástica, pois permitiu-nos ver no CEO do Court Master Sommeliers um sorriso e um entusiasmo sinceros pela maneira como estas vinhas são plantadas.

Em jeito de tendências, Brian acredita que a China irá rapidamente dar cartas no mundo dos vinhos. Nas suas visitas recentes à China, apreciou os vastos campos de vinha que aí estão a ser plantados, sob diferentes condições e acompanhados por muitas, muitas experiências. Contou-nos também que teve de comentar num jantar de gala um vinho falsificado. Sitação extremamente desagradável: um Master Sommelier que reconhece estar a provar uma falsificação, mas que se encontra perante ouvintes que esperam uma descrição da marca (supostamente) degustada! Por fim, fez saber do seu agrado relativamente ao crescente número de mulheres sommeliers asiáticas, tendência que contrasta com o predomínio masculino nos escanções  europeus. Notou ainda a acutilância e o profissionalismo destas novas sommeliers.

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Vinho de Carcavelos, uma das paixões de Brian, e cujas caves visitámos

 

Brian Julyan adora provar e conhecer novos vinhos e um dos vinhos que o mais deixou curioso nos últimos tempos foi, realmente, o nosso vinho de Carcavelos. Lamentou que haja tão pouca informação escrita e acessível sobre ele, o que dificulta imenso o desenvolvimento da região.Muita gente lê sobre este vinho e há alguma curiosidade sobre ele, mas é muito raro conseguir mais informação.” Quando o levámos a Carcavelos e fizemos as provas, Brian muito agradeceu e confidenciou ainda ter ficado apaixonado pelo vinho de Carcavelos. Tanto as explicações dadas na visita como a  prova feita foram do mais alto nível.

Por fim, não resistimos perguntar os clichés mais prosaicos.

ETOVL: “Por que razão fundou o Court of Master Sommeliers?”
Brian Julyan: “A fundação do Court of Master Sommeliers adveio da necessidade que senti em juntar e reconhecer as pessoas que se destacavam no serviço do vinho e na relação com  os clientes. Adveio também, e essencialmente, da necessidade de transmitir e ajudar outros colegas de profissão.”

 

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Brian conversa com Alexandre Lisboa sobre a evolução dos vinhos e os projectos para o futuro

 

ETOVL: “Como entrou no mundo do vinho?”
Brian Julyan: “Quando a minha mãe ficou doente por um longo período, eu e o meu irmão tivemos de começar a ajudar nas tarefas domésticas. Ora, enquanto o meu irmão limpava, eu cozinhava. Desenvolvi então o gosto pela cozinha que se manteve sempre presente, ao ponto de adbicar de uma possível carreira futebolística para ser cozinheiro. Inscrevi-me, então, numa escola de cozinheiros, mas em boa hora os meus professores e colegas me disseram que eu não servia para cozinheiro, tinha mais perfil para ser gerente de restaurante e falar com os clientes. Daí e ser sommelier foi um pequeno passo.” (risos)

No final do encontro ETOVL convida, e a horas pouco recomendadas, Brian agradeceu o dia e com um sorriso disse: “o vinho foi efectivamente muito bom para mim nesta vida. Deu-me a conhecer gente muito simpática, levou-me a tantos lugares. Tratem-no bem!

Dos vinhos degustados nas provas, Brian Julyan mostrou-se particularmente impressionado com os seguintes:
- Pynga Viosinho (2010) – pela relação absolutamente bombástica preço / qualidade
- Monte Cascas Fernão Pires (2008) –  pela qualidade
- Adega de Borba Licoroso Premium –  pela surpresa
- Cavalo Maluco (2009) –  por estar num patamar absolutamente fantástico

 

Texto escrito por Gonçalo Proença e João Chambel. 

O www.etudoovinholevou.com agradece ao Restaurante Tertúlia do Monte, em Cascais, a disponbilização do espaço para as provas efectuadas ao longo do dia, à Camara Municipal de Oeiras, nas pessoas de Tiago Correia  e Alexandre Lisboa, e às Caves Viúva Gomes, na pessoa de José Baeta.

 

 

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