Visita à Herdade do Arrepiado Velho

Muita gente faz uma associação rápida entre Alentejo e muito calor, terra quente. O que é verdade. Mas o Alentejo é um território imenso e com muito mais características que isso. E também tem frio a sério, daquele “de ver o azeite coalhar no prato” – e não é preciso ir ao alto da Serra de São Mamede para o encontrar. Os Alentejos são mais que muitos. E em muitos deles, encontramos os dois extremos.

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É o caso da Herdade do Arrepiado Velho (HAV), poucos quilómetros a Norte da vila de Sousel. Em Agosto passado, viu-se os termómetros chegar aos 45º C. Na véspera da minha visita à Herdade, atingiram-se os -5º C. Quem acompanhou o nosso site nestes últimos anos já teve oportunidade de ler várias vezes acerca destes vinhos – não é caso para menos, pois valem sempre a pena.

 

Esta aventura de cunho familiar teve início no dealbar do milénio e nessa altura António Antunes (produção de vinhos) e Marta Neto (marketing e design) ainda estavam longe de saber que o vinho viria a ter um papel tão central nas suas vidas.

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Aquando da minha passagem pelo Vestigius Wine Bar, no Cais do Sodré, organizei com o João Chambel, camarada aqui no ETOVL, uma prova dos vinhos deste produtor que teve muito sucesso junto dos presentes. Na altura, inícios de 2014, provou-se a gama completa centrada nas colheitas de 2011 e 2012 e o nível dos vinhos era já bom, mas talvez eu estivesse muito centrado nos vinhos “ousados” e invulgares, como o já famoso “Riesling de Netas” ou o irreverente (e polémico) Brett Edition.

 

Desta vez, provou-se a gama quase completa, centrada na colheita de 2015 (2014 nos casos do Brett Edition e Arrepiado Collection tinto), acrescentando o monovarietal de Antão Vaz, mais ligeiro do que o habitual nesta casta (além destes, a gama foi alargada com um 100% Verdelho e um Touriga Nacional de gama mais alta, o HAV Tradition, ambos já esgotados).

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Sente-se que existe aqui um progresso seguro, sente-se a maior maturidade da vinha e do próprio viticultor, realizando com passos sólidos o caminho rumo a uma identidade própria. Resumindo, os vinhos estão mesmo bons, a partir daí será questão de gosto individual. Ouve-se António falar do futuro e dos novos investimentos e percebemos que em primeiro lugar, haverá investimento na vinha, em segundo lugar, investimento na vinha e depois, se ainda sobrar alguma coisa, mais um pouco de investimento na vinha. E ainda bem.

 

Tive ainda o privilégio de provar algumas amostras da colheita de 2016, ano difícil, trabalhoso, e também um novo vinho que manterei no segredo dos deuses, ainda sem data prevista para lançamento, mas que para já muito promete. Por estas coisas e muitas outras, incentivo a que descubram por vocês os produtos desta casa.

 

 

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    Luis Pedroso

    Sobre Luis Pedroso

    Nasceu em 1977 em Lisboa, alguns meses após as vindimas dessa colheita lendária. No entanto, a curiosidade pelo mundo do vinho só se tornou uma paixão depois de outra grande vindima - a de 2007. Arquitecto com uma curta mas agradável experiência de trabalho numa Garrafeira.